Antes de começar a rabiscar nesse papel eu procurei lembrar-me de tudo que um dia vivemos, conversamos, falamos e discutimos. Eu abri a sua pasta que guardo aqui na minha mente e, de início, sorri. Erámos tão ‘nós’ meu amor e agora somos apenas dois corpos e almas separados. Somos apenas ‘eu’ e ‘você’… Eu aqui e você aí.
Eu senti sua falta por muito tempo e a sinto até hoje, mas parece que ela está se esmaecendo aos poucos… Com isso descobri que nem tudo é pra sempre; descobri que o tempo cura, sim, muitas feridas; descobri que apesar de eu estar te esquecendo, eu sei que o seu cheiro e seu sorriso vão sempre ficar cravados em mim.
Algumas coisas vivem para sempre, como o amor. Apesar de altos e baixos ele nunca morre… E eu sei que o que senti por ti nunca irá morrer, por mais que eu tente mata-lo. Por mais que a distancia vá o rasgando aos poucos. Por mais que você vá se afastando de mim.
Eu escrevo como se estivesse bem, mas na verdade eu não estou. Eu tento disfarçar a minha tristeza, algumas vezes eu consigo e outras vezes ela se torna forte demais para ser disfarçada. Não tem como tampar um buraco inteiro com um simples sorriso… O buraco sempre vai estar oco e vazio. Sempre irá ter alguém gritando para sair dele — eu — mas o eco que sai não passa da minha boca. Ele sempre se prende aos meus lábios e evita uma saída. Evita um grito externo.
Você sempre soube que meu orgulho consegue ser maior que a minha saudade e mesmo assim não fez nada. Doeu-me te ver indo embora; doeu-me te ver traçando outro caminho longe de mim. Perdi-te. Perdi meu coração. E perdi o meu sorriso. A única coisa que me sobrou foi a esperança de que dias melhores virão para mim e para você. Eu continuo te amando, como sempre te amei e sei que, talvez, você sinta o mesmo, mas eu desejo que passe. Pois me doeria mais saber que seu coração está doendo por está amando alguém tão estupida como eu.
