Fico desejando te ver ‘nem aí pra vida’ mais uma vez, sempre com a mão no queixo e o cotovelo no batente da janela, algumas vezes segurando uma xícara de café, mas o forte aroma do café ameniza seu cheiro, então o deixo para mais tarde. Talvez para te oferecer, mas você não aparece… Por quê? O que fazias quando passavas por aqui naquele dia? Será que veio me ver? Sei que não… Aliás, nem me conheces.
Devo estar louca em apaixonar-me por um estranho de cheiro doce que pisou em minha calçada; devo estar louca em apaixonar-me por ti, meu bem. Um alguém que não sei quem é e nem donde veio. Um alguém que me deixou seu cheiro, mas me levou meu coração.
Queria ter o agrado de saber seu nome e sua idade. Ou ter o prazer de ouvir sua voz. […] Devia ter te chamado assim que te vi. Devia ter te gritado assim que meu coração descolou-se do meu peito e grudou-se em seus sapatos. Mas não gritei. É uma pena que agora eu tenha que ficar na agonia em te ver de novo.
Nem te ligar eu posso; não sei o seu número. Nem posso bater em tua porta. Não posso fazer nada, só apoiar-me na janela e esperar você passar. Acho que vou pegar um papel e escrever pra ti, vou pedir seu telefone e seu endereço. Vou perguntar seu nome e pedir um pouco mais do seu cheiro, pois essa pequena dose que deixaste já esta acabando. Mas não sei por onde começar. Falta-me um destinatário, não sei o que farei para lhe enviar.
Acho que a jogarei ao mar. Talvez suas ondas a leve até ti. Ou talvez elas te tragam até mim.
