"Mas agora, falando
especificamente de você, de você ter passado, e de eu nem ter percebido a
despedida, foi um estranho-bom. Foi bom porque a gente sempre acha que vai
precisar de alguém pra ocupar o lugar e nem sempre é assim. Um dia desses, a
gente acorda e pronto, você passou. Um dia desses a gente nem se lembra mais do
seu telefone. Dia desses a gente se esquece até dos seus gestos e acaba
arrumando o armário sem dó nem piedade. Ah, tudo passa. Você passou e muita
gente ainda vai passar. Eu mesmo já devo ter passado pra tanta gente e pra
tanta gente que ainda nem esbarrou comigo ainda. Você passou e eu tô deixando
você ir de vez. Sem me agarrar ao falso conforto da saudade que fica. Vai, pode
ir, foi bom enquanto durou, mas eu já não preciso mais. Passou, passado. E fica
até engraçado o jeito que a gente se pega vendo que o apego não tinha o menor
fundamento e que tudo que a gente fez foi meio imbecil. Mas não foi em vão. Eu
precisava ter feito de tudo, ter ouvido de tudo, ter comido de tudo, ter chorado
de tudo, ter rido de tudo e mais um pouco pra você passar."
Daniel Bovoleto