— Por favor, só mais uma dose, prometo ir embora logo depois desta.
— Você não está mais em condições para isso, vá para casa. Estás aqui desde cedo bebendo.
— Mais uma dose e irei para casa.
“Estás vendo o que fazes comigo? Fui expulsa do bar por sua culpa. Pois queria incessantemente completar o teu vazio com álcool. Mas quanto mais bebia, mais teu vazio aumentava. Mais falta tu fazias e mais lembranças tuas me vinham à mente.
Tua ausência acabou sendo que nem álcool, me deixou ébria e me matou por dentro; tirou de mim as minhas palavras e deixou-me sem chão. A diferença é que o efeito da tua ausência não passa com água fria. Ele continua aqui. Continua nos meus dias e nos meus pensamentos… Tua ausência continua no meu peito, cavando um buraco cada vez maior e tornando-se cada vez mais profunda.
Hesito em ir atrás de ti, pois sei que a minha falta não te deixou nem um pouco mal. Sei que minha ausência não te tirou as tuas noites de sono ou muito menos fez suas lágrimas rolarem quando não deviam rolar. Por isso te deixei ir. Deixei-te traçar seu próprio caminho e percorre-lo sem mim… Deixei-te em uma estrada e não olhei para trás, segui um caminho contrário ao teu para nunca mais te encontrar.
Eu sei… Eu não te disse adeus. Mas não foi porque eu esqueci e sim porque ele não conseguiu ser mais forte que eu. Eu o prendi em meu peito e o impedi de sair e dramatizar mais o momento. O impedi de impulsionar as minhas lágrimas a saírem junto com ele.
21h 23m. Eu desisti de você. Desisti de nós dois, mesmo sabendo que esse plural nunca existiu. E por mais que todos me encorajem dizendo que tudo sempre dar certo no final, eu sei que na realidade não é assim. Sei que, talvez, o “certo” seja eu ficar longe de ti e tu longes de mim.
A vida não é um filme de romance, querido. Na vida nós perdemos e somos obrigados a conviver com essa perda. Eu perdi você. Perdi-te pros ares. Perdi-te pra vida e agora sou abrigada a conviver sem ti.
Desculpe-me, mas termino esta carta dizendo que desta vez será diferente. Por mais que minhas lágrimas me façam bem, eu não irei derrama-las. Não desta vez. Não irei mais recordar tuas falas e tuas ações; não irei mais fazer o teu café predileto e muito menos toma-lo; não irei mais respirar teu cheiro 24 horas por dia. Não irei mais escrever a ti. Cansei de gastar minhas palavras contigo, irei envia-las para quem realmente merece lê-las.
Com desamor, Amélie W.”
